sexta-feira, 1 de março de 2013

De mudança

Depois de alguns anos de ausência, resolvi retomar o blog - mas em um outro endereço, preservando aqui os excelentes textos escritos pelas lindas Roberta Paiva e Fabi Cimieri, às quais agradeço pelo carinho e pela dedicação com que cuidaram do nosso blog enquanto estivemos em atividade juntas! O novo endereço é http://ameliaaoavesso.blogspot.com Aguardo vocês lá! ;)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Namorado, Romance e Rotina...

Dia dos namorados é uma data marcada com coração vermelho no calendário dos apaixonados.

E desde que o mundo é mundo todos os casais fazem as suas celebrações, trocam presentes e reservam aquele dia no ano para comemorar com o seu amor, para ter pensamentos românticos, para sonhar com surpresas carinhosas para agradar o ser amado.

Um diazinho só? Para mim todo dia é dia dos namorados!

Eu acredito que o amor mora na rotina. Bem diferente da grande parte das mulheres e do ser humano em geral eu posso dizer que amo a rotina!
Mas estou falando de rotina boa, da continuidade das coisas que são importantes para mim e que me fazem feliz e não me enjoam nunca.

E em falando de amor verdadeiro, daquele tipo de amor-raíz eu penso que é no cotidiano, no pão nosso de cada dia que as grandes surpresas, os melhores gestos, os valiosos milagres se mostram e aparecem a toda boa hora.

Eu não sei se é questão de saber enxergar ou se assim mesmo que gira a roda do mundo.
Pelo menos a minha roda gira assim.

Deve ser por isso que não sou muito destas " grandes" datas, mesmo sendo super romântica e amando qualquer manifestação de carinho e de afeto sincero.
Acho chato essa história de ter um dia tal para se dar um presente, escrever uma carta, fazer uma surpresa só porque é dia dos namorados, dia das mães e etc...

Para ser franca eu sou muito melhor nos dias normais!

Eu acho que presente bom é aquele carinho que mesmo sendo tão conhecido ainda é perfeito, aquele olhar que já está acostumado mas ainda brilha alto quando vê o outro, gargalhada junta, cumplicidade, história compartilhada, paixão diária, beijo bom, abraço apertado,conversa boa, troca, entrega e mais uma série de pequenas-grandes delícias que fazem a vida ganhar outras cores.

Então eu não tenho essa necessidade de fazer aquela celebração ( por mais que eu ache uma maravilha: comemorações, surpresinhas bonitinhas, presentes de surpresa...) porque todo dia eu penso que tem um espaço para uma grande alegria!

E salve a boa rotina, os bons encontros, a união, a sintonia, as mãos dadas e a capacidade de achar graça nisso tudo!

Para mim amor é isso: uma longa, eterna, gostosa e divertida rotina!
Uma rotina cheia de beleza, humor, cheiro, sentimentos, signos, palavras, ações, filhos, degraus, caminhadas e muitos beijos apaixonados com gostinho de quero mais.



Recolhe do ninho os ovos
a mulher
nem jovem nem velha,
em estado de perfeito uso.
Não vem do sol indeciso
a claridade expandindo-se,
é dela que nasce a luz de natureza velada,
é seu próprio gosto em ter uma família,
amar a aprazível rotina.
Ela não sabe que sabe,
a rotina perfeita é Deus:
as galinhas porão seus ovos,
ela porá sua saia,
a árvore a seu tempo
dará suas flores rosadas.
A mulher não sabe que reza:que nada mude, Senhor.
( Adélia Prado - Mural )

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Uma alma simples, um liquidificador de emoções e um fuxico colorido

Eu tenho uma enorme admiração pelas pessoas de alma simples.
Como aquelas mulheres que moram em uma casa de campo verde e aconchegante, dessas com jeito de conto de fadas onde o tempo parece que caminha em outra rota, o sol desmaia no céu sossegado e largo a cada fim do dia e onde é possível escutar o silêncio do mundo como uma doce melodia.

Na minha imaginação essas mulheres também acordam com o canto dos pássaros e já estão piscando os olhos de tanto sono quando as primeiras estrelas no céu apontam.
Mente tranquila, idéias calmas, tudo entendem, pouco questionam e vivem muito bem por anos e anos sem cutucar as suas gavetas interiores.
Eu não.

A minha alma não tem nada de sossegada, quero muito mais de tudo, quero morder a vida, quero nunca parar de sonhar, quero que a poesia nunca me abandone, quero ir sempre além.
Apesar de eu ser viciada em encontrar felicidade nas coisas simples do meu dia-a-dia e acreditar que é na rotina que acontecem os melhores milagres, não abandono a mania de querer mais de mim. Como diria a minha poeta querida, eu quero sempre mais do que vem nos milagres.
Se é defeito ou qualidade realmente não sei responder.

Outro dia fui em um homeopata que tem o maior jeito-cabeça de terapeuta. Ele é daquele tipo de gente que tem um olhar de mago, que quando conversa diz palavras que brilham feito estrelas dentro do nosso coração. Durante algumas passagens da minha vida já bati naquela porta querendo mudar a minha alma de lugar, como no verso do Quintana, só que me sentindo bem menos azul e poética que o poema.

Na beleza dos meus 32 anos fui lá porque estava cheia como uma árvore bem bonita, forte, resistente, repleta de raízes e histórias, com direito a belos frutos e muitas flores. Mas pesada demais, querendo abraçar todas as florestas, rios e mares com a toda força da minha natureza. Traduzindo ao pé da letra: estava me sentindo mesmo era exausta!

A culpa é dessa tal síndrome da mulher-maravilha que nos assalta a mente diariamente e nos transforma em um liquidificador acelerado de funções, pensamentos, vontades e sentimentos.

Velocidade um: pula da cama, faz a mamadeira, prepara a merendeira, arruma os brinquedos, faz o suco, bota a mesa, dá colo, cadê aquela blusinha listrada que estava em cima da cômoda ontem à noite?
Velocidade dois: segura a mão, atravessa a rua, amarra o sapato, penteia o cabelo, lê a agenda, prepara o almoço, brinca junto, namora, hora do banho, cata brinquedo, faz bolo, inventa história, escreve poesia, preciso urgente fazer a minha unha!
Velocidade três: necessidade de dividir o dia em mil pedacinhos, agarrar o tempo para ver se ele estica, arruma a bagunça, tira a manchinha de tinta verde do uniforme, conversa, lanche, desenho, desce para jogar bola, convence a ir para a escola, reza, dorme... preciso de mais energia já!

Mulher já nasce com mania de ser carpinteira do universo, como já disse Raul Seixas em uma música que adoro.
São tantas coisas que queremos fazer ao mesmo tempo, são tantos sonhos que dançam dentro da gente fazendo fila para serem realizados o mais rápido possível e o relógio vai se movimentando, girando, rodando para lá e para cá em um ritmo acelerado como se o mundo fosse acabar amanhã.

E assim muitas vezes abro a porta dos meus devaneios e fico a pensar que seria muito mais fácil ser uma mulher com a alma simples, com pequenos pedidos, com vontades tranquilas e com mais realidade e menos poesia no coração também.
( O que fazer se eu não vivo sem poesia?)

Enquanto não me mudo para um canto verde desses por aí, vou vivendo no auge da minha antiga modernidade, acreditando que a felicidade é sempre o melhor lugar para morar. Irei continuar cheia de coloridos desejos, colhendo tudo de bom que passar pela minha frente e tendo cada vez mais certeza que adoro me multiplicar porque essa é a minha essência.
Quem sabe agora que estou aprendendo a fazer fuxico, aquela arte que se faz com retalho e agulha, não me sinto simples toda vida?

terça-feira, 3 de junho de 2008

Qual é o seu grupo?

No sábado passado nós recebemos um amiguinho da escola do Pedro aqui em casa.
Passamos uma tarde deliciosa com direito a muito quebra-cabeça, jogos, desenhos, carrinhos e bonecos, canções infantis, comidinhas deliciosas e da chuva que caía forte lá fora, nós só escutamos o barulhinho bom.

E eu como adoro criança não resisti a participar das interessantes conversas desses dois meninos de 4 anos.
Nossa! é incrível como criança nesta fase carrega um baú de histórias dentro da barriga.
Eles contam tudo mesmo e com detalhes, falam sobre a família, sobre os amigos, sobre o que pensam e sobre o que sonham, meio fantasia, meio verdade, eu com o meu filtro de mãe e educadora me surpreendia com tantas historinhas divertidas e boas de se ouvir.
- Tia, sabia que lá na escola nós somos o " Quarteto Fantástico?"
- Ah é, Gugu. E quem são os 4 super-heroís?

Aí o amiguinho do Pedro disse o nome de 4 outros amigos que além de estudarem juntos, fazem futebol 2 vezes por semana após a aula formando assim um grupo. Pedro olhou para mim e para o amigo com aquele olhar doce e distante que só temos na infância, esticou aquele sorriso enorme nos lábios e continuou a brincar com o seu boneco do Guerra Nas Estrelas.

Eu me levantei do mundo das brincadeiras, saltei para o mundo adulto e fiquei a pensar como essa história dos " grupos" acontece desde a infância.
Parece que desde do começo dos tempos o ser humano tem a necessidade de fazer parte de algo, de se sentir existindo dentro de uma tribo, grupo, sociedade, comunidade, "galera" ou qualquer sensação de união que o faça sentir mais completo, íntegro ou mais amado, talvez quem sabe. Será?

Hoje em dia o meu grupo é a minha família, são as pessoas que amo e quero sempre por perto e que nunca conseguiria viver longe por muito tempo. Os meus filhos e o meu marido são a minha tribo de alma, sangue, afinidade e comunhão. Mas antes de eu chegar até aqui já experimentei muitos grupos pela vida afora...

O meu primeiro grupo, eram os vizinhos da casa da minha avó na Rua Nascimento Silva, uma ruazinha linda e cheia de árvores com muito espaço para brincar. Nesta época eu tinha os meus 7, 8 anos, o play da minha avó era o lugar mais divertido de todos, eu adorava andar de bicicleta com os meus 6 amigos para lá e para cá me sentindo a menina mais livre e feliz do bairro, vivia de shortinho e camiseta,brincava ainda de Barbie,pulava muito elástico na tardes de sol, pulava as horas que eu ficava longe daquele primeiro paraíso perdido.

O segundo grupo foi formado pelos meus amiguinhos de escola que moravam na mesma rua. Nesta fase eu já tinha quase 11 anos, enormes cabelos cacheados, o meu passatempo favorito era ficar encostada nos carros, ou sentada no meio fio jogando conversa fora com o meu grupinho.
Nós íamos à Saraus de rock-experimental nas escolas vizinhas, assistíamos seções de cinema no sábado à tarde e voltávamos do cinema caminhando pela praia. Fiz boas amizades nessa época e uma amiga em particular é minha grande amiga até hoje!

Alguns anos depois veio o começo da adolescência e o grupo do clube. Todos os meus finais de semana eram muito bem curtidos neste clube. Eu ia para lá de manhã, ficava na piscina, passava o dia inteiro de biquini, almoçava,tomava banho e de noite aconteciam as esperadas e reveladoras matinês.
As "matinês" eram o que existia de mais parecido com uma "boate" que eu já tinha ido, música boa, aquela bola de prata girando e iluminado os passos e os sonhos. Cada canção uma história e uma paixão diferente.

Na sequência vieram as famosas festas de 15 anos, com aqueles vestidos lindos de princesa de tecido de tafetá que brilhavam mais que a noite, o começo da vaidade, a inocência da beleza e a descoberta do primeiro amor.

Da piscina para o mar, conheci o grupo da praia. Eu já tinha quase dezoito anos, adorava aquelas pessoas como se fossem da minha família. Tudo era possível, uma vontade de conquistar o mundo em um mergulho, muitas viagens, muito Raul Seixas, Circo Voador, showzinhos no Arpoador nas tardes de domingo e cada dia era uma história nova para se contar.
Com uma barraca de camping na mão e muita vontade de variar no peito, eu acreditava que poderia ir para qualquer lugar!
Deste grupo fiz algumas amizades eternas, mas grande parte dessas pessoas continuam vivendo naquele tempo até hoje e dificilmente eu teria paciência e afinidade para conviver nos dias de hoje.

Durante a faculdade, o meu grupo era a galera de trabalho. Eu trabalhei na faculdade muitos anos em diversos setores diferentes, estúdio de VT, Laboratório de fotografia e etc e tal. Nesse tempo conheci pessoas muito especiais que guardo do lado esquerdo do peito.
E no meio desses anos de estudo, estúdio, externas, revelações, praia, baixo gávea e forró...conheci o amor da minha vida, que hoje é o meu marido, o pai dos meus filhos amados e o líder do meu grupo principal:minha família!

Eu acredito que na vida adulta, nós não sentimos mais "aquela" necessidade de termos um grupo.
Por ouro lado acho que a experiência de se fazer parte de um grupo-comunidade-núcleo faça parte da formação da nossa personalidade até a chegada do tempo da maturidade.
É no meio daquele universo coletivo, que enxergamos referências, criamos identidades e encontramos quem realmente somos.
Precisamos passear por várias tribos, conhecer diversos tipos de pessoas, para sabermos identificar quem realmente fala a nossa língua e faz parte da nossa praia.

No relógio acelerado que a vida nos coloca no pulso quase não encontramos tempo para encontrarmos com os nossos grandes amigos com a frequência que gostaríamos.
Aqueles que colhemos com tanto carinho pelos grupos que participamos pela vida afora.
Mas quando isso acontece é sempre maravilhoso, relembrar momentos,dividir histórias, rir junto, jogar conversa fora, falar besteira, conversar por horas, misturar o passado com o presente e colocar tudo em cima da mesa!
Assim perfeito e simples como só os grandes amigos sabem ser.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Transformando fotografias em carinho


Vou dar uma dica para aqueles que, como eu, são apaixonados por fotografias e scrapbook.

Há cerca de dois anos, vi em uma loja virtual o anúncio de um novo serviço que estava sendo oferecido: a criação de fotolivros. Achei interessante a idéia, baixei para o computador o programa disponibilizado pelo site e, aproveitando a proximidade do aniversário do meu marido, resolvi brincar de editora gráfica e montei no programa um livro contando, através de fotos e textos, toda a vida dele até aquele momento. Fiz todo o procedimento indicado no programa, voltei à loja virtual e remeti o arquivo. Em poucos dias recebi, por Sedex, uma caixinha contendo o fotolivro. Não preciso nem dizer que o presente emocionou a família inteira e encantou os amigos que estavam presentes na festinha de comemoração do seu aniversário.

No ano seguinte, resolvi presentear o meu pai com um fotolivro entitulado "O Meu Avô", com registros de momentos dele com a minha filha. Ampliei as fotos para que ocupassem a página inteira do livro, deixando apenas um pequeno espaço embaixo de cada foto, onde inseri, verso por verso, a letra da música "O Meu Avô", do Balão Mágico. Meu pai ainda hoje é encantado pelo fotolivro, que fica exposto na estante da sala, sendo mostrado para todos os amigos que o visitam.

Para o dia das mães desse ano, resolvi novamente transmitir meu carinho através de fotolivros que preparei para a minha mãe e minha sogra. Baixei a versão mais nova do programa em uma das lojas virtuais que trabalham com o produto e dessa vez a minha diversão ao montar os fotolivros foi ainda maior, assim como o resultado final: atualmente, o programa possui diversos kits de scrapbook que você pode ir baixando gratuitamente, através da própria interface do programa, de acordo com o tema que você desejar (aniversário de criança, amor, mãe, praia etc). Você pode editar até mesmo a capa, inserindo a imagem e o texto que preferir, ou simplesmente deixando-a com alguma das cores básicas oferecidas.
Também há a opção de produzir fotolivros em vários tamanhos e tipos de capa. Fotolivros quadrados ou em tamanhos de retrato (folha na vertical) ou paisagem (folha na horizontal), capa dura ou mole, etc.

Para quem gosta de scrapbook digital, é um grande instrumento para registrar o seu trabalho, haja vista a possibilidade de produzir fotolivros quadrados (para quem não conhece, o scrapbook, seja ele manual ou digital, geralmente é feito em páginas com formato quadrado). Agora penso em montar um fotolivro com páginas de scrap digital, relatando os 3 primeiros anos da minha filha, mês a mês, com fotos e informações sobre o seu desenvolvimento.

Mas se você faz o tipo que não entende bulhufas de arte digital, ou é uma pessoa extremamente prática e não quer perder tempo, também não tem problema: simplesmente baixe o programa, escolha as fotos e selecione a opção de colocar cada foto ocupando uma página inteira e pronto! Também há a opção de contratar os serviços de pessoas que fazem scrapbook digital.

Seja para guardar de forma especial seus momentos preferidos ou para presentear pessoas queridas, os fotolivros são a melhor forma de traduzir fotografias em forma de carinho.

Não conheço todas as lojas virtuais que oferecem esse serviço, mas sei que existem várias, dentre elas as Americanas, Livraria Saraiva, Comprafácil e Submarino. Eu tenho usado a Saraiva, aproveitando promoções esporádicas de frete grátis e parcelamento sem juros. De todo modo, independentemente da loja virtual que você escolha, todos os produtos são produzidos pela mesma empresa, então não há diferença de qualidade, apenas de preço e facilidade de pagamento.

Para aqueles que não conheciam ainda, espero que tenham gostado da dica!

domingo, 11 de maio de 2008

Mãe sofre!

Você sabe que sua linda filhinha de 2 anos será uma adolescente rebelde quando, incentivada na escolinha a desenhar sua mamãe, ela desenha isso:


Galinha d´angola de chapéu é sacanagem, hein, filha???? :)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

As Faces de Eva

" Há um certo tipo de criança tão apaixonada por palavras que beija as fotos dos autores nas capas dos livros. Eu era assim. Tudo o que sempre quis foi ser escritora. Hoje, desejar isso é o mesmo que aspirar a ser um ferreiro na era do automóvel, mas, quando criança, acreditava que um escritor era dotado de poderes sobre-humanos. Uma escritora sentava-se sozinha à sua mesa e fazia as coisas acontecerem. Era um poder divino. O sentimento de realizações devia ser o mesmo. Fazer as palavras escorrerem pelas páginas era como fazer chover. Flores nasciam da tinta. Furacões e revoluções eram provocados pelo som da caneta arranhando o papel ."

Eu não escrevi estas frases. Mas adoraria tê-las colocado no papel. Há muito tempo não leio uma descrição tão boa dos mares que povoam a alma de uma escritora, dos sentimentos indescritíveis que vivenciam os que são caçadores de palavras, os que precisam escrever como o filho necessita do seio da mãe para se alimentar e descansar em paz.

O trecho foi tirado de um livro muito interessante chamado "O que as mulheres querem?" da Erica Jong. A autora tem uma linguagem adorável e inspiradora para falar de assuntos que existem dentro da alma feminina desde sempre.
São saborosas crônicas sobre as relações que experimentamos pela vida afora.
A delicada relação mãe X filha, a eterna culpa que toda mulher conhece após o nascimento dos filhos, os vários papéis que exercemos durante a nossa caminhada, como vivenciamos o sexo em cada fase da nossa vida, como as nossas memórias se transformam em verdadeiros colchões macios com o passar dos anos.... afinal quanto mais velhas ficamos, mais buscamos as nossas recordações para nos entendermos, nos encontrarmos e nos enxergamos como em um largo mapa repleto de passagens, pessoas e sentimentos! Pelo menos comigo funciona assim.

A parte que mais me chamou atenção no livro é a descrição da profunda relação de mãe e filha. Segundo Erica tudo o que fazemos, tudo o que somos, como nos comportamos em nossas relações amorosas tem tudo a ver com a história que contruímos com a nossa própria mãe. Eu concordo!

Na infância a nossa mãe é tão importante e valiosa como uma terra sagrada, é a nossa mulher-maravilha, heroína capaz de solucionar todos os problemas do mundo (principalmente os nossos!), a fada-madrinha que tem uma varinha mágica que pode transformar qualquer coisa ruim que passe perto de nós em poeira.
Essa grande mulher é o nosso espelho, referência, o exemplo de tudo de bom, de certo e perfeito que possa existir. Afinal, quando somos crianças não existe nada mais importante no mundo que a nossa mãe!

Depois chega a adolescência turbulenta, reveladora e cheia de mudanças e descobertas.
Aquela menininha cresceu e começa a questionar a si, o planeta, os outros, os astros... e tão rápido como o passar de uma estrela cadente, a pobrezinha da mãe se transforma de heroína em bruxa em rápidos segundos.
A mãe de uma adolescente precisa de largas doses de paciência e outras tantas de compreenção e distanciamento para entender o coração da sua filha que anseia engolir o mundo a cada despertar!
São apenas nuvens passageiras, toda mullher precisa vivenciar essa fase para criar a sua própria identidade. E nesse processo-crescimento é a relação com a própria mãe que vive as maiores transformações.

Passados os anos de lagarta a mulher enfim alcança vôo para a vida adulta.
Na juventude a mulher encontra na sua mãe, uma grande amiga que sempre esteve ao seu lado para o que der e vier. Aí vem o casamento, os filhos e a filha crescida retorna para "casa" como nos contos bíblicos. Nesta fase mãe e filha se transformam em grandes companheiras, cúmplices e criam uma nova relação muito mais estável, franca e divertida! A mãe vira avó e a filha vira mãe e o saldo desse delicioso ciclo da vida é sempre muito positivo e revelador.
E como disse tão bem a autora do livro: nós mulheres temos várias mães durante toda a nossa vida. E cada uma dessas mães correspondem a uma fase de nossas vidas!