Nesse feriado assisti a um filme ótimo. Não no cinema, porque há dois anos isso não me pertence mais. Em casa mesmo, no DVD.
Click conta a história de um homem que vive para o trabalho e nunca tem tempo para a sua família. Um belo dia, um desconhecido lhe oferece um presente fantástico: um controle remoto que tem o poder de controlar o tempo. Imagina poder apertar o “rewind” e rever os momentos mais gostosos da nossa vida, na perspectiva de mero espectador? Ou apertar a tecla “forward” bem no meio de uma discussão chatíssima com o marido? Imagina poder acelerar o tempo até o dia da próxima promoção e poder já usufruir de todos os benefícios do novo cargo – incluindo, claro, o salário bem mais alto -, sem passar pela parte chata de ralar por horas e horas, durante meses a fio?
Seria bem legal, né? Não! Não seria nada legal! Durante as “aceleradas” para perder as partes consideradas chatas do nosso dia-a-dia, o tal pai de família workaholic acionava o seu “piloto automático”, que ia “vivendo” os dias em seu lugar. Depois de acelerar um ano, por exemplo, ele olha para o lado, vê os filhos um pouco maiores, mas está completamente desatualizado das notícias do último ano, porque ele não viveu aqueles momentos, apenas passou por eles rapidamente, com o piloto automático ligado.
O filme é muito engraçado, recheado de boas histórias e, além disso, nos leva a fazer uma análise da vida que estamos levando hoje. Não é preciso ser um viciado em trabalho para cometer o erro mostrado pelo filme. Aliás, não é preciso nem mesmo ter um trabalho para cometê-lo.
Quantas vezes a gente não se pega pensando coisas como “Hoje é segunda, tomara que chegue logo o final de semana”, “Tomara que o mês acabe logo, porque meu dinheiro já acabou faz tempo”, “E essas minhas férias que não chegam”? Quando se tem filhos em casa, não são raros os pensamentos do tipo “Jesus, já estou morta de cansaço e ainda são 9hs da manhã de sábado... Tomara que o dia acabe logo, preciso descansar”. Nesses momentos, é comum a gente simplesmente ligar o piloto automático e esperar que as horas passem mais depressa.
Com a cabeça nas nuvens – ou melhor, na sexta-feira, no final do mês ou no verão -, acabamos não vendo graça nos pequenos detalhes do dia-a-dia. E, quando chegarmos lá no fim do caminho, olharemos para trás e só então veremos o quanto fomos burros por não termos aproveitado cada passo da nossa caminhada, por termos vivido com o corpo no presente e a cabeça no futuro.
Meu lado Polyana sempre aciona o alarme quando me pega agindo dessa forma. Sempre que penso em fazer algo para acelerar o tempo, surge na minha frente a minha imagem como uma senhora de 80 anos, lembrando dos cachinhos loiros da filha pequena, os brinquedinhos espalhados pelo chão da sala, o frescor da juventude estampada no espelho (“deveríamos parar de envelhecer aos 30”), e a velha senhora triste por não ter aproveitado cada segundinho daquele passado feliz, sentindo que desperdiçou toda a sua juventude e os melhores dias da sua vida com esse hábito vil de ligar a todo instante o seu piloto automático.
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4 comentários:
Já ouvi outra pessoa falar super-bem desse filme, Vi. Tô louca pra assistir. E é bem verdade que a gente tá sempre correndo, passando por situações sem prestar atenção, desejando que o tempo se apresse, etc. Mas com relação ao meu filho, em particular, é diferente. Quando vou estender roupa no varal e vejo lá aquelas calças compridas, pijamas de manga longa, sandálias número 30, desejo é que o tempo congele pra poder curtir mais os momentos deliciosos com o Igor nos meus braços. Bjo, rapha.
Oi Vi!
Muito legal o seu texto e vc tem toda razão. Vc acredita que chorei pácas ao assistir esse filme? Eu estava grávida do Guilherme e não sabia. Fiquei morta de vergonha ao sair do cinema com o rosto vermelho de tanto chorar. Rs... Confesso que gostaria sim de um controle remoto com uma única tecla: PAUSE. Rs... Acelerar até que não é meu objetivo, mas dar uma paradinha seria de bom tamanho nos meus sábados, depois do almoço, quando me torno uma velhinha de 130 anos de tanto cansaço, enquanto os dois meninos estão prontos para a tarde de aventuras mil, rs...
Às vezes, o cansaço é tanto que não consigo nem me concentrar para apreciar os momentos maravilhosos com os meninos. Agora, o meu dia de descanso é segunda-feira, enquanto sábado virou a segunda de antigamente. Realmente, o pause resolveria todos os meus problemas, rs...
Beijos,
Catarina.
ai gente, sem querer ser polêmica, eu d-e-t-e-s-t-e-i esse filme, não consegui ver até o final.
mas realmente a gente tem essa mania de querre acelerar o tempo que no futuro iremos nos arrepender. bjs
fabi
Vi,
Ainda não vi o filme, mas o seu olhar foi perfeito!
É verdade em diversas situações cotidianas queremos acelerar o tempo, os dias, os nossos pensamentos e etc.
O que me faz me desligar do mundo é estar com a minha família, quando estou entre eles funciono em outro tempo.
Quando vejo um brinquedo na pia do banheiro, uma boneca esquecida em cima da minha cama, um tênis pequenino do Pedro jogado em um canto da sala...eu entendo e percebo que tudo está no seu lugar.
Nessas horas me pego pensando o quanto a vida é boa e como sou imensamente feliz.
Eu também sinto o mesmo que a Rapha quando dobro as roupinhas das crianças...dá vontade de parar o tempo e respirar eternamente aquele sentimento bom.
beijos
Beta
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