sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O medo que paralisa



Mesmo minha filha sendo ainda tão pequena, reconheço nela diversas características minhas. Não acredito em transmissão da personalidade através dos genes, prefiro acreditar que as crianças incorporam, desde muito cedo, os hábitos, costumes e crenças dos pais, e com o tempo acabam manifestando essas características em seus próprios comportamentos.

Se fosse só o gosto por salame, o amor pelos animais e a habilidade para trabalhos manuais, eu sequer perceberia que, aos poucos, minha filha está se transformando em uma "mini-me" - como se já não bastasse a semelhança física, que é enorme! Entretanto, também percebo na "mini-me" a pior característica negativa que eu carrego comigo: o medo.

Não o medo de cobra ou de fantasma, mas o MEDO com letras maiúsculas, aquele que nos paralisa e nos impede de viver. Desde pequena, nunca me aventurei a fazer coisas arriscadas. Até de montanha-russa eu fugia, por imaginar que o carrinho despencaria lá de cima. Voar de asa-delta jamais figurou na minha lista de "coisas-a-fazer-antes-de-morrer". Nunca acompanhei meu irmão e meus primos nas brincadeiras de subir até o topo da ladeira e descer sentada no skate. Medo, medo, medo.

Ultimamente, sinto que esse medo atrapalha meus planos de diversão em família. Moramos no Nordeste, a poucas centenas de quilômetros de lugares maravilhosos no Ceará, na Paraíba e em Pernambuco. Tenho um título de turismo que me dá direito a sete diárias anuais em hotéis fantásticos do Brasil e do mundo. Mas o medo, esse meu eterno companheiro, vive a me assombrar toda vez que faço planos para viajar. De avião é um horror, o caos aéreo, o precário sistema de radar, as aeronaves sem manutenção. Tudo é pretexto para não subir no avião. E de carro? Pior ainda, nem morta! As estradas têm mais crateras que o solo lunar, os motoristas são quase todos uns inconseqüentes, só no feriado de 7 de Setembro morreram mais pessoas do que nos dois últimos acidentes aéreos ocorridos no Brasil. E assim a gente fica em casa, alugando vídeos, "existindo" e não "vivendo".

O medo paralisa, e é um mal que precisa ser combatido. Disposta a lutar contra o meu maior inimigo, enchi meu peito com uma porção generosa de coragem e decretei: esse ano será diferente. Vou viajar sim, com ou sem medo.

Só resta saber se o dinheiro vai dar!

4 comentários:

Mafalda ;-) disse...

Vi, tem crianças que são mais cuidadosas e outras mais atiradas, que não vêem consequencias ou não tem medo. Tenho os dois exemplos aqui em casa.
Para mim, eu comecei a ficar mais medrosa depois dos 20 e poucos anos.
Também penso nestas coisas do carrinho da montanha russa ou de algum brinquedo despencar. rsrsrs.
Mas isso eu peguei da minha mãe, lembro bem dela falando isso, desta neura dela! rsrs

Mas não deixo isso me segurar. Tirando o voar de asa delta ou pular de pará-quedas (que até tinha vontade quando mais jovem), que eu acho realmente perigoso, o resto a gente respira, reza pro anjo da guarda e segue em frente.

Gostei de saber que irá viajar este ano!! Virá pra esses lados??

Beijos

RobertaPaiva disse...

Vi,
Eu também me vejo nas crianças a toda boa hora e sempre me perco nesses pensamentos...do que eles irão absorver de mim, de como por mais que a gente tente não fazer acabamos repetindo nossos pais em tantas situações e principalmente qual parte de mim estou entregando mais para os meus filhos.
É tão forte isso porque filho é a pessoa no mundo que mais nos observa em todos os momentos. Nós somos os seus maiores exemplos de tudo! E essa responsabilidade é tão gigante e maravilhosa que quase assusta!
Por mim eu gostaria de passar para eles só a minha alegria, minha poesia, minha sinceridade,minha paixão pelos livros e pelo mar, minha crença infantil e eterna que no fundo tudo vai dar certo, minha fé, minha força de vontade e etc...Mas não queria que eles conseguissem enxergar meus medos, meus dias sem paciência, meus lados não coloridos nem minha ansiedade eterna rs!
Concordo com você que o medo enferruja e não existe nenhuma sensação pior.
Tem uma frase que adoro e diz assim " o medo é o contrário da fé".
Adorei o texto e sou super parecida com você e também detesto montanha-russa rs! Para o meu coração bater forte e feliz preciso estar me sentindo segura, esse tipo de risco que por exemplo alpinista sente..eu tô fora rs!
beijos
Beta

Fabi Cimieri disse...

hahaha, eu sou ao contrário de vcs, adoooro uma adrenalina na veia, sentir borboletinhas voando na barriga... me arriscar me faz sentir viva. Tudo bem que com a idade e, principalmente, com a maternidade, eu peso muito mais as consequências do que antes, mas estou muuito longe de ser uma pessoa sensata.
Eu tenho medo sim, de avião, de fazer matéria em favela, de morrer em acidente de carro, de ver meus pais morrerem... mas não são medos que me impedem de seguir adiante. Nunca deixei de viajar por isso, só por falta de din-din mesmo, é o que eu mais amo fazer na vida. Quando pegava onda sempre queria descer a maior da série, adoro os brinquedos perigosos, tive uma fase alpinista e por aí vai.
A Cat é bem mais precavida, nisso puxou ao pai, que é o oposto de mim e sempre cheio de cuidados e senãos.
adorei o post, vi. vcou ver se tomo vergonha na cara e tb atualizo.

Nas nuvens disse...

Vi,
Tenho lutado tanto contra os meus medos. Mas não é à toa que a gente vive assustada, não.
Quando decidir viajar, dê uma esticadinha às terras cearenses, viu?

PS: Ei, essa charge é de um cearense. Um cara que consegue ser antipático e gente boa ao mesmo tempo rsrsrs.