sexta-feira, 2 de maio de 2008

As Faces de Eva

" Há um certo tipo de criança tão apaixonada por palavras que beija as fotos dos autores nas capas dos livros. Eu era assim. Tudo o que sempre quis foi ser escritora. Hoje, desejar isso é o mesmo que aspirar a ser um ferreiro na era do automóvel, mas, quando criança, acreditava que um escritor era dotado de poderes sobre-humanos. Uma escritora sentava-se sozinha à sua mesa e fazia as coisas acontecerem. Era um poder divino. O sentimento de realizações devia ser o mesmo. Fazer as palavras escorrerem pelas páginas era como fazer chover. Flores nasciam da tinta. Furacões e revoluções eram provocados pelo som da caneta arranhando o papel ."

Eu não escrevi estas frases. Mas adoraria tê-las colocado no papel. Há muito tempo não leio uma descrição tão boa dos mares que povoam a alma de uma escritora, dos sentimentos indescritíveis que vivenciam os que são caçadores de palavras, os que precisam escrever como o filho necessita do seio da mãe para se alimentar e descansar em paz.

O trecho foi tirado de um livro muito interessante chamado "O que as mulheres querem?" da Erica Jong. A autora tem uma linguagem adorável e inspiradora para falar de assuntos que existem dentro da alma feminina desde sempre.
São saborosas crônicas sobre as relações que experimentamos pela vida afora.
A delicada relação mãe X filha, a eterna culpa que toda mulher conhece após o nascimento dos filhos, os vários papéis que exercemos durante a nossa caminhada, como vivenciamos o sexo em cada fase da nossa vida, como as nossas memórias se transformam em verdadeiros colchões macios com o passar dos anos.... afinal quanto mais velhas ficamos, mais buscamos as nossas recordações para nos entendermos, nos encontrarmos e nos enxergamos como em um largo mapa repleto de passagens, pessoas e sentimentos! Pelo menos comigo funciona assim.

A parte que mais me chamou atenção no livro é a descrição da profunda relação de mãe e filha. Segundo Erica tudo o que fazemos, tudo o que somos, como nos comportamos em nossas relações amorosas tem tudo a ver com a história que contruímos com a nossa própria mãe. Eu concordo!

Na infância a nossa mãe é tão importante e valiosa como uma terra sagrada, é a nossa mulher-maravilha, heroína capaz de solucionar todos os problemas do mundo (principalmente os nossos!), a fada-madrinha que tem uma varinha mágica que pode transformar qualquer coisa ruim que passe perto de nós em poeira.
Essa grande mulher é o nosso espelho, referência, o exemplo de tudo de bom, de certo e perfeito que possa existir. Afinal, quando somos crianças não existe nada mais importante no mundo que a nossa mãe!

Depois chega a adolescência turbulenta, reveladora e cheia de mudanças e descobertas.
Aquela menininha cresceu e começa a questionar a si, o planeta, os outros, os astros... e tão rápido como o passar de uma estrela cadente, a pobrezinha da mãe se transforma de heroína em bruxa em rápidos segundos.
A mãe de uma adolescente precisa de largas doses de paciência e outras tantas de compreenção e distanciamento para entender o coração da sua filha que anseia engolir o mundo a cada despertar!
São apenas nuvens passageiras, toda mullher precisa vivenciar essa fase para criar a sua própria identidade. E nesse processo-crescimento é a relação com a própria mãe que vive as maiores transformações.

Passados os anos de lagarta a mulher enfim alcança vôo para a vida adulta.
Na juventude a mulher encontra na sua mãe, uma grande amiga que sempre esteve ao seu lado para o que der e vier. Aí vem o casamento, os filhos e a filha crescida retorna para "casa" como nos contos bíblicos. Nesta fase mãe e filha se transformam em grandes companheiras, cúmplices e criam uma nova relação muito mais estável, franca e divertida! A mãe vira avó e a filha vira mãe e o saldo desse delicioso ciclo da vida é sempre muito positivo e revelador.
E como disse tão bem a autora do livro: nós mulheres temos várias mães durante toda a nossa vida. E cada uma dessas mães correspondem a uma fase de nossas vidas!

9 comentários:

Bel disse...

Beta ,
é engraçado , mas conheço seu modo de escrever , mesmo a conhecendo há tão pouco tempo ! É um jeito leve e envolvente . Realmente ser mãe tem fases . Estou vivendo a mãe maravilha . Vivi , só quer a mim e eu , confesso , acho isso , DELICIOSO !!!
Bjs e ótimo fim de semana .

Bel disse...

Beta ,
é engraçado , mas conheço seu modo de escrever , mesmo a conhecendo há tão pouco tempo ! É um jeito leve e envolvente . Realmente ser mãe tem fases . Estou vivendo a mãe maravilha . Vivi , só quer a mim e eu , confesso , acho isso , DELICIOSO !!!
Bjs e ótimo fim de semana .

Anônimo disse...

Adorei Amiga! Ficou lindo e verdadeiro demais!Como já conversamos, concondo com cada palavrinha e as aprecio pela maneira como você as escreve.
Beijos, Mari.

Agente "Mostre sua dedicação de mãe!" disse...

Boa tarde

Gostaria de pedir o apoio de vocês na divulgação do concurso cultural "Dedicação de Mãe", através do seu blog.

Por favor,entrem em contato via e-mail concursomaes@casasbahia.com.br

Att,

Agente Mostre sua dedicação de mãe disse...

Mostre a sua dedicação de mãe!

O amor da mãe pode ser traduzido em uma palavra: dedicação. Nos primeiros passos, as primeiras
palavras, em todos os capítulos de nossas vidas elas estão lá. Olhando, observando, ensinando, aprendendo.
Por isso, o que não faltam são histórias. E histórias bonitas que devem ser contadas para todo mundo ver.

E a gente aqui da Casas Bahia resolveu fazer parte também dessa história lançando um concurso cultural.

Grave um vídeo contando uma história de dedicacão de mãe ao filho e cadastre no nosso site.

Eles serão votados e os melhores vão ganhar muitos prêmios.[/red]

Acesse agora www.casasbahias.com.br/maes e conte a sua história pra gente.

Estamos esperando sua participação!

Dani+Cleber=Ana Luíza e Clebinho disse...

Olá Amiga
Passando para convida-la a participar do nosso quadro de Amigos Bloqueiros♥ Nos visite♥Felicidades♥
♥Bitocas♥

Fabi Cimieri disse...

Adorei Beta, as linhas sobre a essência do escritor tb, mas é de um cara bem mais sarcástico, um jornalista americano, Hunter S. Thompson:"Meu objetivo ao escrever é, através do poder da palavra escrita, ser capaz de fazê-lo ouvir, fazê-lo sentir... fazê-lo enxergar. É nos trazer encorajamento, consolo, medo fascínio - tudo que for exigido- e, quem sabe, também, aquele vestígio de verdade que já se esqueceu de procurar"

obs - tinha feito um outro comentário gigante que apagou, mas, resumindo, amei o texto. bjsss

Fabi Cimieri disse...

ah, tinha dito tb que sempre sei logo nas duas primeiras linhas se quem está escrevendo é vc ou a vi. acho que cada uma de nós tem um estilo muito único.
bjs

Vívian disse...

Eu também já reconheço logo o seu texto, Beta! Às vezes já reconheço pelo título! rs! Engraçado mesmo como a nossa marca pessoal fica impregnada nas linhas que escrevemos. Por isso que nunca me enganei com nenhuma amizade virtual até hoje. Por mais que a gente não conheça pessoalmente, dá para fazer um verdadeiro raio-X da pessoa só pelo jeito como ela escreve!
Beijos!